A bagunça

Eu não estou mais confusa. Pelo menos não como antes. Acho que isso talvez seja progresso, ou talvez até um retrocesso. Talvez, eu deveria estar confusa. Eu deveria sentir alguma coisa com os lábios do indivíduo maligno que arruinou muita coisa na minha vida. Quem eu chamo de melhor amigo. Um indivíduo que ao mesmo tempo que me protege e me conforta, foi aquele que antes, respectivamente nessa ordem:

- Me fez perder parte do respeito próprio

- Me ignorou

- Arruinou o meu primeiro “Eu te amo”

- O afastou (aparentemente - Mas as esperanças vão a merda) permanentemente mesmo que acomunado com as minhas próprias forças malignas

Porque ainda sim eu faço isso comigo? Porque eu faço isso? Pela primeira vez, as respostas estão obvias no meu psicológico. Desta vez, a bagunça é somente externa. Talvez já era hora de compreender minhas próprias ações e meus sentimentos anteriormente denominados como confusos e incompreensíveis. Eles são muito compreensíveis:

Ainda com raiva e ressentimento no tópico “amor”, nas últimas semanas tenho tido minúsculos romances sem importância, sem qualquer intimidade e significado porque é óbvio de quem eu gosto. E talvez por simplesmente não querer mais tentar qualquer coisa por enquanto, e simplesmente por não querer sentir nada disso no momento, que chegou uma fase em que eu simplesmente me rendo ao tópico simplesmente para afastar a solidão e a própria bolha que formei. Estou na plena tentativa frustrada de sentir alguma coisa mesmo sabendo que não vou. Daí vem a extrema idéia de um relacionamento sem importância puramente baseado em um desejo previamente existente e na raiva. As vezes eu sou mais transparente que uma bolha de sabão. E em meio a minha epifania, eu me retiro e me afasto do teclado buscando a paz na minha amizade colorida cheia de raiva e ressentimento. Vou estudar matemática e pensar nisso até ir para a Suíça e despejar a minha tristeza e raiva não nos lábios de alguém que deixou cicatrizes, mas de uma boa e bela fatia de queijo.

No dia em que eu morrer

Fiquei doente essa semana, com uma puta virose, daquelas que você acha que vai parar de respirar a qualquer segundo e por alguns minutos realmente não se importaria se isso acontecesse desde que parasse o zumbido alto e constante da febre e da intensa dor de cabeça.

Foi aí que eu comecei a romantizar a minha morte, não a morte em si, o simples desfalecer, o isolado vão da existência acabando… Romantizei as despedidas…. E foi assim que lembrando o filme “Restless” e, em meio as prováveis ilusões dadas a febre, eu sonhei que disse tudo o que tinha de dizer, a pessoas com quem sempre acho que falei o suficiente, mas que eu sei que nunca vai bastar. Meus sentimentos nunca poderão ser transcritos em palavras, pelo menos, não quando se trata deles. Ou melhor, dele.

O fato é que eu revi o que não queria ter revisto. O fato que me faz desandar, e talvez, se a morte me chegasse hoje, morrer com um grande arrependimento. Não importa o quanto eu tente me entregar novamente a gostar de uma pessoa, eu, nas noites de insônia, vou pensar nele. Vou pensar nas covinhas do pescoço, os olhos, o nariz, o sorriso, as palavras. De tudo o que eu gostava, e agora, não posso ter. Já fazem 3 meses e 19 dias se a minha matemática não falha. Eu já deveria ter me deixado levar pelo garoto bonito, simpático e de olhos charmosos que diz gostar da minha companhia. Por mais que eu diga aos meus amigos que quero estar sozinha e pensar, refletir, ler um bom livro, eu sei que quando estiver em meu leito de morte não é o livro ou o garoto dos olhos charmosos quem eu vou chamar. O que automaticamente me leva a pensar: E se eu nunca esquecer dele? E se me casar com o meu melhor amigo, como sempre falo que vou, ou com um cara de olhos bonitos e nunca me apaixonar pelo dito-cujo? Quer dizer, eu já amo o meu melhor amigo, e meu futuro marido pode ser legal, mas e se eu não sentir mais aquele “Tchan”? Aquela sensação de que aquilo não pode ser real, de tão feliz que você se encontra, de tão perfeita que é a sua vida apesar de você ainda não acreditar que você é realmente você nessa história toda e não a expectadora deslocada e inconveniente. Merda de obsessão por amor. 

Não estranhamente, escrever isso me deixou triste. vou ler e depois quem sabe dormir. Quem sabe sonhar com a minha viagem, a neve, as árvores, a floresta e a solidão que é o que eu sei que preciso agora.

Estar Sozinha É tudo o que eu quero.

Ele não vai voltar mesmo….

Comendo pipoca

Amo pipoca. O gosto salgado e crocante, batendo constante contra os dentes, amolecendo aos poucos, desmilinguindo-se rapida e deliciosamente. Cheia de memórias, de mágica. É incrível como, com o tempo, somente o ato de comer pipoca já me lembrava de um tempo não tão distante, mas seguramente mais simples. Fazia meses que eu não comia pipoca, talvez por causa disso, talvez por coincidências da vida… Mas, foi um verdadeiro rito de passagem. Não de esquecimento do que passou, mas da abertura para novas memórias. De novas companhias, risadas, carinhos sem compromisso ou promessas.

Acho que por algumas semanas eu estava triste, vendo excessivos dias nublados quando sempre ouve a possibilidade de ver coisas incríveis. Acho que de fato, eu pelo menos cresci, amadureci para poder aproveitar tudo de bom que tenho e talvez só não ligava tanto antes, durante o tempo que só via coisas tristes. A gangue dos meninos que adoro tanto, minhas amizades femininas bem melhor-estruturadas, as amigas virtuais, os professores amigos, os flertes bem-intencionados e ocasionais que fazem o meu dia. Ás vezes até mesmo o mais descoordenado dos violinistas, pode encontrar o caminho através da corda bamba.
Daqui a pouco tempo estarei viajando,
finalmente, nas últimas semanas, vejo que entre idas e vindas, no geral estou conseguindo me equilibrar.

Um violinista no telhado

A música calma e sincera de um violino não é sustentada pelo equilíbrio do violinista que se encontra no telhado em uma noite de luar. A música é o que o sustenta, a melodia é o que lhe da equilíbrio para continuar tentando não cair. Utilizando o mesmo princípio, eu 

 Tento não

Cair.

Mas ás vezes, é difícil não se dar a luxúria da tristeza, de falar ao mundo formado pelas suas próprias paredes, que você desiste de não tentar sentir falta, de não tentar sentir raiva, ou solidão. ás vezes, precisamos nos deixar cair. Afinal, a mesma melodia não nos sustenta para sempre. Talvez, seja necessário cair para mudar a canção. Nem “Bridges in the sky” ou nem ao menos “Bennie and the Jets” conseguiram impedir que eu caísse hoje, e ontem, quando uma simples atualização de página no facebook me trouxe memórias que eu tento evitar, ou possibilidades que eu tento esquecer que existem. Droga. Droga não, merda. Tem vezes que só um palavrão resolve. Ou uma expressão coloquial: Que joça.

É engraçado me sentir sozinha com tantos amigos por perto, tantas pessoas que me fazem sorrir, tantos que me fazem bem. Quando eu vou me sentir bem de verdade? Que joça! O que é necessário para me satisfazer de verdade? que melodia é necessária para fazer o violinista do meu telhado não cair?

Eu rio um riso seco pela minha frustração. Tem gente passando fome, perdendo antes queridos e eu aqui, a beira de baixar Katy Perry no meu ipod e ir comprar sapatos. Eu sou mesquinha o suficiente para não ficar feliz nunca? Sou avarenta com a minha própria felicidade? É isso? Porque, tantas vezes, o meu violinista cai? Porque desde que tanta coisa aconteceu, mesmo com todas as coisas boas que me acontecem agora, eu retorno as memórias ruins? Ou pior, as memórias boas que eu sei que não vão voltar? Não tem outra expressão: Que joça.

Estarei desde sempre a mercê do meu desejo fétido e corrompido por amar e ser amada? Ou somente o meu desejo de um ser humano tão fétido e distante quanto o meu próprio desejo?

Porque não posso simplesmente apreciar o fato de que três garotos neste mundo frio e cruel vão com a minha cara? Porque não poder genuinamente apreciar o fato da minha estante estar sempre organizada? Dos meus livros favoritos estarem sempre perto?

Porque não simplesmente sentar e apreciar o fato de que o Roger Walters vem fazer um show por aqui ano que vem? 

Recado ao meu violinista:Trate de se equilibrar no meu telhado manchado, sujo e caído, porque se o senhor não se equilibra eu tenho que achar uma nova melodia para o senhor e eu simplesmente. Cansei. de. Mudanças.

Ass. S, a moça que não quer que você quebre uma costela. 

(Source: joyceylicious)

Sono

Não consigo dormir. Por mais que eu tente, minha alma, minha consciência, meu tudo, parece desejar que amanhã eu me arraste coimo um zumbi pelos corredores da escola, com olheiras gigantes, com pensamentos aleatórios e inapropriados para uma garota que necessita prestar atenção nas aulas de revisão pré-provas.

Meus pensamentos parecem circular sempre o mesmo assunto. Sempre. O que é uma bosta, afinal, tem tanto a se pensar mas ao mesmo tempo… Simplesmente parece que tudo o que deveria ser dito sobre o assunto já se foi, desmembrado aos poucos pelo decorrer do tempo e resolvido aos poucos pelos acontecimentos imprevisíveis dos últimos meses. Porque continuar pensando nisso? Porque perder tempo pensando no que já foi?

Diversas vezes tentando não pensar nisso eu consigo pensar em coisas bem piores. Pesadelos horríveis que são bem mais torturantes do que morrer uma senhora velha com 13 gatos e sem perspectivas. É. Eu realmente sou criativa quando eu quero, sem querer, evitar dormir.

Sábado foi épico. Estar ao lado dos meus amigos, dos meus melhores amigos, sorrir e dar risada sem preocupações, sem censura, sem vergonha de nada. Não existem pessoas que me conhecem melhor do que os meus amigos. Não da para explicar o quanto eu os adoro. Cada conversa aleatória, cada sorriso desconexo, cada comentário inapropriado… Eu amo muito tudo isso. Mas por ter melhores amigos homens eu criei um certo complexo feminilidade, de sentir-me mulher e sentir-me ao mesmo tempo parte do grupo, mas uma parte especial dele. Como a bateria de uma escola de samba, eu me retiro e me anexo a eles no que achar apropriado, eu sempre tentei ser diferente deles e mostrar uma qualidade a parte. Que qualidade? Bom, isso eu também não sei. Talvez enquanto comento sobre um caça de guerra virar um pouco o cabelo, sorrir de leve com o canto do lábio. Não que eu consiga fazer isso direito, mas eu pelo menos tento. Tento parecer que não sou um dos meninos, ao mesmo tempo que quero ser parte deles. Acho que o meu êxito, apesar de inesperado, é real. Mas não é isso que não me deixa dormir nesta noite quente de domingo.

Na noite em que estive com meus amigos algo muito, muito inesperado aconteceu. O amigo em que eu havia perdido toda a confiança, depois dele ter afastado o garoto que eu gosto (Amo…. não sei…lknwdkjwebfkwje), me tratou bem, me fez desejá-lo, me fez sentir-me mulher, alimentando a minha necessidade, e, enquanto todos os outros assistiam um filme, beijá-lo. E foi ótimo ser somente desejo e mais nada. Só um beijo. Foi tudo. Foi só isso. Um beijo e acabou. Era tudo o que precisava, mas ao mesmo tempo é o que (talvez) não me deixa dormir.

E se esse desejo puro, bruto e físico necessite que eu confie nele de novo? Não posso fazer isso, afinal, parcialmente por culpa deste indivíduo e parcialmente por culpa minha e parcialmente por culpa do Universo eu perdi a companhia do primeiro garoto que eu gostei de verdade… Porque, justo agora que eu estou simplificando as coisas, começando a me entender de verdade, eu penso em confiar nele de novo? Não. Essa é uma coisa que eu simplesmente não posso fazer. Eu perdi coisas demais por ter confiado neste amigo. Boa, eu mesma, parabéns, eu mereço um troféu. Porque eu deixei  esse cara/amigo me beijar? Por que? Isso significa que, só por causa de um desejo momentâneo e idiota eu voltei a confiar nele?

Eu fico sonhando com mortes, com “Maroon 5”, com o garoto que eu gosto, com prova de química… Com o garoto/amigo que eu perdi a confiança. E EU NÃO QUERO PENSAR EM NADA DISSO.

Eu só quero dormir. Deixe os meus pensamentos desconexos, pesadelos, músicas relacionáveis, batidas envolventes e péssimas decisões para outra hora… Eu só quero pensar na maré, em um barquinho vermelho e em um pescador que só ouve as ondas do mar…

Música de reflexão

Eu finalmente achei uma nova música de reflexão.

O que é música de reflexão? - Perguntas retóricas me ajudam a escrever ok? - Bom… Música de reflexão é a música que é como um poema. Que te embarga a os poucos, te droga em pensamentos, te faz refletir e tirar conclusões e que faz o mundo fazer sentido mesmo que seja somente durante o tempo que ela toca.

Estranhamente, as últimas músicas de reflexão que eu tive foram de um artista suicida e desequilibrado. Mas quem sou eu para entender? Kurt Cobain tinha me feito compreender muita coisa. Lenine. Cássia Eller. Todos eles me fazem sentir-me completa quando os ouço… Nos últimos dois meses eu estava confusa e fragmentada mesmo quando eu ouvia “umbigo” ou “Segundo sol” ou “Come as you are”. E muito, mas muito ironicamente, eu me sentia bem ouvindo uma música que eu sabia que já tinha dono. Que tem me embargado e reconfortado e feito completa. Mas, eu sei que é ridículo, é música que já tem dono e já tem alguém que sente e que sabe o poema que elas são. Na verdade, eu só conheço uma pessoa que é tão reconfortada quanto eu pelo poema que é rock progressivo.

Ah, dane-se, música é patrimônio público. Dream Theater é patrimônio comunitário. James LaBrie provavelmente não gostaria de sentir que a música que ele demorou tanto para criar. Estava. Sendo. Emprisionada. Por. Um. Medo. Sem. Sentido.

Eu sentia falta de uma música/poema assim. Nos últimos tempos eu imaginava que Paul McCartney cantava um lullaby na minha cabeça enquanto acariciava meus medos, sonhos e desejos, e John Lennon com a expressão sincera que eu imagino sempre ainda não consegue entender porque sua música não consegue me reconfortar mais tanto quanto esta música improvável achada no meio de um sentimento aleatório. “Bidges in the sky” me embarga e me droga de pensamentos. É o expressar da minha raiva e do meu descontentamento em “Outcry”. 

ESTRANHO NÃO? Eu evitei essa trilha em tanto tempo… Ouvindo-a somente quando eu olhava de relance para o meu celular e via uma mensagem que eu não queria enxergar. Mas ao mesmo tempo não conseguia evitar de responder. E. de. pensar. nele. assim. que. eu. fazia. Essa música é dele. é a maior inspiração dele. Porque meu inconsciente tende roubá-la? Dane-se. Deixe-me na minha desconexidade ouvindo “Far from heaven” e lendo “Chasing Brooklyn” pela 89 vez.

Eu admito senhoras e senhores, eu achei a minha nova música de reflexão nas letras de John Petrucci. Eu gosto de Dream Theater tanto quanto eu gosto da Idina Menzel, da Cássia Eller, Nirvana, Barbra Streisand,  do Charlie McDonnell e do Paul McCartney, sendo que, este último, eu ouvi tanto que agora mora oficialmente na minha cabeça.

Eu achei o meu novo poema de conforto nas letras que já contam com um admirador mais do que eficiente. Mas do mesmo jeito. Eu as encontrei. Eu as ouvi sendo tocadas por ele na sexta-feira e eu só senti aquelas mesmas coisas. O poema. As respostas. E as músicas. Eu sentia falta dele. Eu sentia falta de uma música de reflexão.

E de jeitos inesperados.

Eu              Reencontrei

                                              Os

                                                         Dois

Enquanto eu não me encontro…